Nem todo desconforto com barulho é “frescura” ou simples irritação. Para algumas pessoas, sons cotidianos podem gerar estresse intenso, ansiedade, dificuldade de concentração e até sofrimento físico.

O ambiente de trabalho moderno está longe de ser silencioso. Conversas paralelas, notificações, obras na vizinhança, cliques, digitação, latidos, trânsito e reuniões constantes fazem parte da rotina de muita gente.

Enquanto algumas pessoas conseguem ignorar esses sons, outras sentem um desconforto enorme — e isso pode estar relacionado à hiperacusia ou à misofonia.

Embora os dois termos sejam frequentemente confundidos, eles representam condições diferentes. Ambas podem transformar tarefas simples em experiências mentalmente desgastantes, seja em um escritório tradicional, seja no home office.

Entender essas diferenças é importante não apenas para quem sofre com o problema, mas também para colegas, gestores e familiares. Será o seu caso? Continue a leitura para saber mais!

O que é hiperacusia?

A hiperacusia é a sensibilidade exagerada a sons de intensidade moderada (cuja maioria das pessoas não se incomoda). Quem tem essa condição pode perceber ruídos comuns como excessivamente altos, irritantes ou até dolorosos e insuportáveis.

Sons cotidianos como talheres batendo, aspirador de pó, secador de cabelo, buzinas e até conversas de fundo podem causar desconforto intenso. Em alguns casos, o problema vem acompanhado de tensão muscular, fadiga mental e ansiedade.

A hiperacusia está mais ligada ao volume e à intensidade sonora. Ou seja: o cérebro interpreta determinados sons como muito mais hostis do que realmente são.

No ambiente de trabalho, isso pode gerar dificuldades como:

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Escritórios open space, por exemplo, podem ser especialmente desafiadores para quem sofre com hiperacusia.

O que é misofonia?

A misofonia funciona de forma diferente. Nesse caso, o problema não é exatamente o volume do som, mas a reação emocional intensa provocada por sons específicos.

Mastigação, respiração alta, clique de caneta, digitação, fungadas, estalos ou repetição de pequenos ruídos podem desencadear irritação extrema, ansiedade, raiva e sensação de perda de controle.

A pessoa geralmente reconhece que a reação parece exagerada, mas isso não diminui o sofrimento.

No trabalho, a misofonia pode se tornar um grande problema, principalmente em ambientes compartilhados. Sons pequenos e repetitivos acabam consumindo energia mental o tempo inteiro, dificultando a concentração e aumentando o estresse ao longo do dia.

Em muitos casos, o maior desgaste não vem do som em si, mas do estado constante de alerta e tensão.

Hiperacusia e misofonia no home office

Muita gente imagina que trabalhar em casa resolve completamente os problemas relacionados ao barulho. Na prática, porém, isso quase nunca acontece.

O home office oferece mais controle sobre o ambiente, mas também traz novos desafios sonoros, como:

Para quem tem hiperacusia, sons externos imprevisíveis podem gerar sensação constante de estresse e dificuldade para relaxar.

Já na misofonia, pequenos ruídos domésticos podem virar gatilhos extremamente desgastantes. Um ventilador fazendo ruído irregular, alguém mastigando perto ou um simples clique repetitivo podem prejudicar horas de trabalho ou até dias.

Além disso, no home office existe outro problema: a dificuldade de separar descanso e trabalho. Quando a própria casa vira fonte de desconforto sonoro, perde-se a expectativa de fuga no fim do expediente, tornando a fadiga ainda mais pesada.

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Como minimizar o impacto do barulho no trabalho?

Nem sempre é possível eliminar completamente os ruídos, mas algumas estratégias ajudam bastante a reduzir o desgaste.

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1. Ajuste o ambiente de trabalho

Pequenas mudanças podem fazer diferença, como:

Em casa, alguns ajustes podem ajudar a reduzir os ruídos externos, como:

No home office, vale também conversar com conjugue, filhos e vizinhos para garantir uma boa convivência.

2. Use fones e protetores

Os protetores auriculares podem ajudar em momentos específicos, principalmente durante obras, trânsito intenso ou ambientes muito ruidosos.

Fones com cancelamento de ruído também são aliados importantes, especialmente para quem trabalha concentrado no computador por longos períodos.

Mas existe um detalhe importante: o objetivo não deve ser viver em silêncio absoluto o tempo todo. O isolamento sonoro excessivo pode aumentar ainda mais a sensibilidade em algumas pessoas.

O ideal é buscar equilíbrio e conforto funcional.

3. Melhore a sua qualidade de vida

Uma vida mais leve e menos estressante também pode ter impacto positivo na hiperacusia e na misofonia, pois a resposta emocional negativa aos sons torna-se mais moderada.

Aqui, entra o velho bê-á-bá da vida saudável: praticar atividades físicas regularmente, dormir bem, se alimentar corretamente e cuidar da saúde, além de cultivar boas relações e experiências.

Devo enfatizar, porém, que isso não será suficiente para todos. Em muitos casos, o apoio profissional é essencial.

Quando procurar ajuda profissional?

Se o desconforto com sons começa a afetar produtividade, relações pessoais, humor ou qualidade de vida, vale procurar avaliação profissional.

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Otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e psicólogos podem ajudar a investigar causas, orientar tratamentos e desenvolver estratégias de adaptação.

Em alguns casos, ansiedade, estresse crônico e sobrecarga mental também intensificam a percepção dos sons. Por isso, cuidar do sono, da saúde mental e da rotina faz bastante diferença.

Muita gente passa anos achando que é apenas “intolerante a barulho”, quando na verdade pode existir uma condição real por trás desse sofrimento, como transtornos de humor, quadros crônicos ou perda auditiva (causa mais comum de hiperacusia).

Conclusão

Hiperacusia e misofonia são problemas diferentes, mas ambos podem tornar o ambiente de trabalho extremamente desgastante. Em um mundo cheio de estímulos sonoros constantes, compreender essas condições ajuda a reduzir preconceitos e encontrar soluções mais humanas e práticas.

Nem sempre será possível controlar todos os sons ao redor, mas criar um ambiente mais confortável, respeitar limites pessoais e buscar estratégias adequadas já pode transformar bastante a experiência no escritório ou no home office.

Barulho constante não afeta todo mundo da mesma forma, e reconhecer isso é um passo importante para trabalhar e viver melhor.

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Leandro Abreu - Profissional de Marketing e editor chefe do Ergonomia no Home Office. Trabalha em home office há mais de 10 anos.

Leandro Abreu

Profissional de Marketing e editor chefe do Ergonomia no Home Office. Trabalha remotamente há mais de 10 anos.


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