O afastamento de Marc Hudson da banda DragonForce reacendeu o debate sobre os perigos da exposição frequente a sons altos. Problemas como perda auditiva e tinnitus afetam músicos, trabalhadores e até pessoas que usam fones de ouvido em volume alto ou frequentam shows e festivais regularmente.

O universo do rock e do metal sempre esteve associado a volumes extremos, grandes festivais e apresentações intensas. Mas existe um lado pouco glamouroso dessa realidade: os danos permanentes à audição.

Recentemente, o vocalista Marc Hudson precisou se afastar temporariamente de atividades relacionadas à música devido a problemas auditivos, incluindo perda auditiva e tinnitus — condição conhecida popularmente como zumbido no ouvido.

O caso chamou atenção porque não afeta apenas músicos profissionais. Milhões de pessoas expõem os ouvidos a níveis perigosos de som diariamente, muitas vezes sem perceber.

Shows, festivais, fones de ouvido em volume alto, academias, bares e até o trânsito urbano podem contribuir para danos cumulativos na audição ao longo dos anos.

Continue a leitura para entender melhor sobre o assunto e saber como se proteger.

O que é tinnitus e por que ele preocupa tanto?

O tinnitus é a percepção de sons sem uma fonte externa real. O ruído pode se apresentar em diferentes intensidades e frequências, sendo comumente descrito como um som semelhante a:

Em alguns casos, o incômodo é leve. Em outros, pode prejudicar a concentração, o sono, a produtividade e a qualidade de vida.

O problema costuma estar ligado a danos nas células auditivas do ouvido interno, que não se regeneram. Por isso, a prevenção é muito mais importante do que qualquer tratamento posterior.

Sons altos podem causar danos permanentes

Muita gente acredita que o ouvido “se recupera” depois de um show barulhento ou de horas ouvindo música alta. Mas a realidade é que danos auditivos podem ser cumulativos.

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Como esclarece a Dra. Nathalia Prudencio, médica especialista em zumbido no ouvido, “a exposição a sons altos é uma das principais causas de danos ao sistema auditivo, podendo gerar lesões imediatas ou graduais nas células do ouvido interno.”

Alguns sinais de alerta incluem:

O risco não se limita a músicos ou trabalhadores. Frequentadores assíduos de festivais, baladas e shows também podem desenvolver problemas auditivos com o tempo, assim como pessoas que fazem uso inadequado de fones de ouvido.

O perigo dos festivais e shows ao vivo

Festivais e grandes apresentações frequentemente ultrapassam níveis considerados seguros para a audição humana.

Em muitos eventos, o volume pode passar facilmente os 100 decibéis, especialmente próximo às caixas de som. Para comparação, exposições prolongadas acima de 85 decibéis já podem causar danos auditivos permanentes.

Nas primeiras exposições, especialmente na juventude, as células do ouvido tendem a se recuperar, mas o estresse acumulativo pode causar danos progressivos que tornam os sintomas, outrora temporários, em permanentes e cada vez mais graves.

Embora seja encarado como algo “normal” sair de um show ou festa com zumbido ou sensação de ouvido abafado, isso é um sinal de alerta. Quando acontece, o ideal é dar um descanso para a audição evitando sons altos por alguns dias, e procurar um médico especialista (otoneurologista), caso os sintomas persistam por mais de dois dias.

Fones de ouvido também merecem atenção

Não são apenas os shows que oferecem risco.

O uso prolongado de fones em volume elevado virou um dos maiores problemas modernos relacionados à audição, especialmente entre jovens e adultos que passam horas ouvindo música, podcasts ou vídeos diariamente.

O hábito de aumentar o volume para “abafar” ruídos externos é particularmente perigoso, pois o usuário não se dá conta de que está ouvindo um som muito alto.

Como prevenir perda auditiva e tinnitus?

A boa notícia é que pequenas mudanças podem reduzir bastante os riscos. Veja!

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1. Use protetores auriculares em shows

Hoje existem protetores específicos para eventos musicais que reduzem o volume sem distorcer o som, os chamados protetores de alta fidelidade. Um dos mais famosos é o Alpine Music Save Pro.

Para saber mais sobre protetores auriculares e conferir outros modelos, confira o artigo: Qual é o melhor protetor auricular para dormir, estudar, trabalhar e curtir eventos com segurança?

2. Evite se manter perto das caixas de som

Quanto mais próximo das torres de áudio, maior a pressão sonora recebida pelos ouvidos. Mesmo alguns metros fazem diferença.

Se você curte ficar perto do palco, use protetores e tente se afastar esporadicamente para permitir que os ouvidos “descansem”.

3. Faça pausas auditivas

Muitos eventos brasileiros já oferecem espaços para descanso auditivo (não precisa ser uma área dedicada a isso, de fato, mas apenas um lugar afastado ou isolado dos sons mais altos).

Especialmente em festivais de longa duração, procure fazer pausas para permitir que as células do seu ouvido se recuperem parcialmente. E após o evento, evite sons altos por alguns dias.

4. Controle o volume dos fones

Uma regra simples é evitar ultrapassar cerca de 60% do volume máximo por períodos prolongados. Muitos smartphones emitem alertas ao ultrapassar esse nível.

Mesmo em volume baixo, porém, o ideal é não abusar dos dispositivos, mantendo o canal auditivo livre a maior parte do dia.

5. Procure ajuda ao notar sintomas incomuns

Zumbidos frequentes, sensação de pressão no ouvido ou perda de audição não devem ser ignorados, especialmente quando são intensos a ponto de incomodar ou quando surgem de forma súbita.

Nos primeiros dias após a lesão auditiva, é possível reduzir o impacto ou eventuais sequelas por meio de medicamentos e cuidados específicos, em alguns casos. Logo, procurar ajuda médica é fundamental.

O caso de Marc Hudson

Marc Hudson vai se ausentar temporariamente dos shows ao vivo da banda DragonForce devido a problemas graves de perda auditiva e zumbido.

A decisão, anunciada em maio de 2026, visa garantir sua recuperação e saúde no longo prazo, após ele já estar lidando com esses sintomas em privado há algum tempo.

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Durante o afastamento de Marc, os vocais da banda serão assumidos pela nova integrante oficial Alissa White-Gluz (antiga vocalista da banda Arch Enemy) e pelo músico Billy Wilkins, que já colabora com a banda desde 2023.

Embora Marc esteja fora dos palcos no momento, ele continua sendo um membro oficial do DragonForce e sua volta é esperada assim que sua saúde auditiva permitir.

Um exemplo que serve como alerta

O afastamento de Marc Hudson é um exemplo que ilustra algo bastante comum, mas que ainda é pouco falado: muitos profissionais, em especial artistas e trabalhadores do mercado musical, sofrem com perda progressiva de audição e tinnitus.

Todo profissional que é exposto a sons altos com frequência deve estar sempre atento à sintomas auditivos atípicos, utilizar protetores auriculares adequados e fazer acompanhamento médico frequente da audição.

Esse cuidado se estende a pessoas que gostam de música e costumam frequentar ambientes com som alto.

Existe uma cultura muito forte dentro de festivais, especialmente no rock, heavy metal e eletrônico, que associa volume extremo à experiência “verdadeira” do show. Mas preservar a audição é o que permite continuar aproveitando a música por décadas.

Conclusão

Problemas como perda auditiva e tinnitus estão se tornando cada vez mais comuns em uma sociedade cercada por estímulos sonoros intensos o tempo todo.

O caso de Marc Hudson ajuda a lembrar que cuidar da audição não é exagero nem frescura. É prevenção de longo prazo.

Shows, festivais e música alta fazem parte da vida de muita gente, e é perfeitamente possível curtir adotando cuidados preventivos, como evitar se manter próximo às caixas de som o tempo todo e usar protetores auriculares.

A nossa audição é muito valiosa, e é melhor cuidar dela a fim de preservá-la do que lidar com sintomas crônicos no futuro que, esses sim, poderão limitar a sua vida, o seu trabalho e a sua diversão.

Aproveite e confira também: Como usar fones de ouvido sem prejudicar a audição? Cuidados importantes no uso e no dia a dia!

Leandro Abreu

Leandro Abreu é gestor de conteúdo e redator profissional. Trabalha em home office há mais de 10 anos.

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